terça-feira, abril 10, 2007

Fábio Santiago

O Santi é daqueles jogadores que qualquer treinador tem prazer em treinar. Foi meu Capitão de equipa, um verdadeiro líder, defende a sua equipa no limite, tem um coração enorme e é muito generoso no treino e no jogo para com todo grupo, colegas e treinadores. Tal como o Calico é sempre o primeiro a equipar-se e o último a sair do treino, neste momento sei bem o que está a passar com esta lesão, mas o mais importante agora é fazer uma boa recuperação e começar forte na próxima época. FORÇA SANTIAGO. Grande abraço do Mister e Amigo.
José Pipo (Treinador dos juniores do Académico de Viseu)


Nome: Fábio André Canelas Santiago
Data de Nascimento: 11/01/1987
Local de nascimento: Viseu
Morada: Repeses, Viseu
Um clube sem ser o Académico de Viseu: Sporting Clube de Portugal
Clube de sonho onde gostavas de actuar: sonho, sonho era actuar na 1ª Liga ao serviço do Académico.

Há quanto tempo estás no Académico?
Sou jogador do Académico há 10 anos, tendo passado por todos os escalões de formação do clube.

Como foi viver por dentro o fim do CAF?
Lembro-me que na altura falava-se nisso há algum tempo, mas nós pensávamos que pelo menos íamos acabar a época, até ao dia em que chegámos ao Fontelo para ir treinar e nos disseram que o clube tinha acabado. Ficámos todos incrédulos, abraçámo-nos, chorámos, foi uma situação muito complicada para todos nesse dia e nos tempos que se seguiram até porque alguns de nós ficaram sem jogar até ao fim da época. Foi difícil pensar que o nosso clube, do qual todos gostávamos tinha acabado, que íamos ficar privados de praticar o desporto que tanto gostávamos durante tanto tempo. No entanto, não posso deixar de enaltecer todas as tentativas de solucionar o problema por parte da direcção do clube, nomeadamente o presidente Jorge Simão e o Sr. Monteiro com quem contactámos mais directamente, assim como o apoio dos treinadores.

CAF e AVFC são para ti a mesma coisa? Porquê?
Sem dúvida que sim. Não senti diferença alguma em jogar no CAF e no AVFC, as pessoas são quase as mesmas, o amor ao clube é o mesmo, o meu orgulho em chegar à equipa sénior foi o mesmo, e a ambição maior, visto que o objectivo é colocar o Académico no lugar que merece.

Sei que foste convidado a jogar noutros clubes. Porque decidiste continuar no Académico?
Quando estamos num clube há tanto tempo como eu estou, quando nos sentimos bem, quando foi nesse clube que me formei como jogador e como homem, quando acreditamos nas pessoas e num projecto, quando somos respeitados e acarinhados, porque mudar? Acho que respondi à pergunta
.
Os adeptos do Académico podem sonhar com a subida?
É legitimo que assim seja. Um clube como o Académico luta sempre pelos lugares cimeiros da tabela, e quando para além do nome, existe a qualidade dos jogadores penso que a subida não é nada que esteja fora do nosso alcance.

Como é o ambiente no balneário?
Simplesmente fantástico! Somos uma verdadeira família em que todos puxamos para o mesmo lado, e para isso muito se deve o facto de todos conhecermos a história do clube, e a respeitarmos, sentirmos a camisola e querermos colocar o clube onde merece. Principalmente para quem cumpre o 1º ano no futebol sénior, penso que não poderíamos ter encontrado melhor balneário, e desde já tenho a agradecer a todos os meus companheiros mais experientes todos os conselhos, os “puxões de orelhas” e todo o apoio.

Como é que o balneário do Académico lida com a liderança isolada do campeonato?
Penso que a pergunta deveria ter sido: “como é que o balneário lidou com o facto de em Dezembro estar tão longe do 1º lugar?”, porque foi nessa altura que toda a união da equipa foi visível, e foi ai que nos assumimos verdadeiramente como tal. A pressão do 1º lugar todos querem ter, e agora respondendo à pergunta: se o ambiente no balneário já era bom, melhor ficou. Todos sabemos o quão difícil foi chegar lá a cima, e certamente que agora tudo faremos para lá permanecer até ao fim.

A equipa sente-se demasiado pressionada pelos adeptos?
Não nos sentimos pressionados, agora sentimo-nos bem com todo o apoio que temos recebido, mas outrora já no sentimos tristes. Na minha opinião a mentalidade de alguns adeptos academistas em relação à equipa não é a melhor, pois só agora que estamos no topo é que começamos a ser mais apoiados e seguidos, enquanto que quando mais precisávamos do seu apoio não o tínhamos, bem pelo contrário. Penso que têm que ser os adeptos a puxar pela equipa e não o contrário.

Como caracterizas o Prof. Idalino enquanto treinador?
Acima de tudo é alguém que gosta e vive o futebol, é um treinador muito experiente cujo passado fala por si. Tem sido um privilégio trabalhar com ele, visto que é um treinador que aposta nos jovens e os ajuda a evoluir.

Entendes que o clube tem sido bem gerido ao longo de toda esta época?

Esse tipo de julgamento não tem que ser feito por mim, mas no que diz respeito à equipa sénior é de salientar todo o trabalho desenvolvido para que nada nos falte.

Olhamos para o plantel e vemos vários jogadores formados no clube. Achas que deve ser esse o caminho?
Se não for esse o caminho, qual será? É o caminho mais correcto e mais seguro, e temos o exemplo do Sporting que é um grande do nosso futebol. Temos que apostar na formação, em jogadores que sintam a camisola, que dêem valor ao emblema que trazem ao peito, que não estejam no futebol por estar. O Académico tem todas as condições para lançar grandes jogadores, e a isso muito se deve todo o trabalho levado a cabo por todos os treinadores dos escalões de formação e à sua competência, será um erro enorme se se voltar a desperdiçar todo esse trabalho
Foi difícil a tua adaptação a defesa direito?
De facto, a posição onde me sinto mais à vontade e onde gosto mais de jogar é a central, mas já havia jogado nos juniores a lateral, portanto a adaptação não foi muito difícil, e hoje em dia um jogador tem que ser polivalente, e estar disposto a jogar onde quer que seja, de forma a ajudar a equipa.

Como é que estás gerir psicologicamente esta lesão prolongada?
Quando se confirmou o pior eu nem queria acreditar, demorei algum tempo a mentalizar-me do que me tinha acontecido e do que me espera. Custa muito, principalmente por ser nesta fase crucial da época em que toda a ajuda é pouca, mas também porque vou estar sem fazer o que mais gosto durante bastante tempo. No entanto, são coisas que acontecem e que temos que superar. Neste momento estou preocupado em recuperar bem e com calma para que possa voltar a 100%. Não posso deixar de agradecer, mais uma vez todo o apoio que tenho recebido por parte dos meus colegas de equipa, equipa técnica, amigos, conhecidos, academistas… a todos o meu muito obrigado.

Foste capitão nos juniores. Achaste capaz, de num futuro próximo, capitanear a equipa sénior?

Fui capitão, nos juniores e em todos os escalões, excepto nos escolinhas, claro que um dia também gostava de ser capitão dos seniores, mas não penso nisso, penso em trabalhar todos os dias com a mesma vontade, e também sei que há jogadores no actual plantel com perfil para no futuro serem capitães

Qual o jogador que mais admiras?
Admiro vários, Luís Figo por tudo o que representa para o futebol português e pela sua postura, João Moutinho pela sua humildade e por já ter chegado tão longe, Paolo Maldini, por ser um jogador fantástico e pela sua carreira exemplar e Polga, o melhor central a actuar em Portugal.

Quais os treinadores que mais te marcaram?
Todos os treinadores que tive me ensinaram alguma coisa, penso que temos que aprender com todas as situações com que nos deparamos e tentar evoluir, mesmo quando elas são adversas. Com todos cresci e me formei como jogador e homem, todavia, não posso deixar de destacar alguns nomes: Mister Pina, o meu 1º treinador, a pessoa que me trouxe para o Académico, Mister Raposo, um grande academista, o treinador que está há mais tempo no clube, que já me treinou várias vezes e com quem muito aprendi e evolui, Mister Pipo, um treinador que sempre apostou em mim, desde os Juvenis que treinava com ele nos Juniores, é alguém que sabe como motivar os jogadores e ter uma excelente relação com eles, Mister Rodrigo e Mister Carlos, dois excelentes preparadores físicos, e ainda o Prof. Idalino, o treinador que me lançou nos seniores.

5 comentários:

Anónimo disse...

mano santi.. força aí nisso.. recupera bem que para o ano já ai estás para as curvas.. força ai "capitão" :p.. sabs k podes contar sempre comigo.. e como já te disse, todos vamos lutar para sermos campeões, por ti.. abração para o nº5 do AVFC ;) ass: CALICO

terça-feira, 10 abril, 2007
Bao disse...

André as melhoras.
Abraço

terça-feira, 10 abril, 2007
Anónimo disse...

Com estes jogadores brilhantes,a caminho do título, assim tem de ser o comportamento do Académico. Outra coisa não será de esperar dos herdeiros de autênticas sagas que no passado fizeram do Clube Académico de Futebol uma das mais prestigiadas equipas do país.
Nunca fomos dos maiores porque nunca nos deixaram, quer as forças vivas de Viseu, quer os outros, de fora.
Os de Viseu por pura inveja, os de fora por puro receio da força beiroa!
As romarias dos domingos à tarde, rumo ao velhinho Fontelo, faziam-se em grupos cerrados, primeiro pela Rua das Bocas, onde passavamos à porta da sede do Viseu e Benfica, com quem não nos dávamos particularmente mal - eles iam aos nossos jogos, quando em divisões diferentes e puxavam pelo Académico e nós retribuíamos -, mais tarde pela Rua Capitão Silva Pereira, com paragem quase obrigatória no Império, onde se atestava o "agasalho" para o frio e chuva e se gritava sempre, na despedida um "Viva o Académico". Durante os jogos ecoavam os !A-CA-DÉ-MI-CO!". No regresso, quando a vitória sorria, havia uma rodada à borla - nunca descobri quem a pagava! - e a deslocação para a sede do Académico ou para o Café das Beiras ou Café Vitória onde as tertúlias prosseguiam até às tantas, até se acabarem as descrições inflamadas das jogadas...
Quando o resultado era adverso, o ritual era o mesmo, mas mais triste e não incluía a rodada à borla e a tarde/noite acabava numa bilharada no andar superior do Café Rossio...
Quando os jogos eram contra o Lusitano de Vildemoinhos - grande instituição, que respeito e que muito deu e dá ao futebol, que espero saia do lugar incómodo em que está - aí, tudo era a triplicar! As equipas do Lusitano eram duríssimas e lembro-me de um defesa esquerdo muito pequenito, que podíamos classificar de "bola ou homem, um tem de ficar!", que inflamava a multidão (estamos a falar de milhares de adeptos, não centenas como agora!) - o que fazia com que os jogos acabassem invariavelmente "à batatada", dentro e fora do pelado!!
Depois, muito mais tarde, pela noite dentro, em Viseu e em Vildemoinhos tudo se misturava nos cafés e tascos e o jogo era comentado por entre dois ou três "copos de três com tampa" (alguém se lembra ou conheceu sequer esta verdadeira instituição viseense?).
Memórias que o Académico deixou... Que vai deixar, para sempre!
Lumago

terça-feira, 10 abril, 2007
ogirdoR disse...

Amigo Lumago: fica a promessa de fazer um post com estas suas palavras que desde já agradeço.

quarta-feira, 11 abril, 2007
ogirdoR disse...

Já agradeci ao Santiago "pessoalmente" o facto de ele nos conceder esta entrevista e faço-o agora publicamente e agradeço também a valiosa contribuição do Mister Pipo, um abraço para os dois!

Confesso que fiquei impressionado com algumas das respostas do Santi. Demonstra um amor ao clube que a mim me emocionou.

Há um Senhor que de vez em quando deixa aqui umas "bocas" a que obviamente não dou voz, embora as lei-a com muita atenção. Para essa pessoa recomendo que leia a resposta do Santiago à pergunta: CAF e AVFC são para ti a mesma coisa? E já agora que leia também a resposta do Calico e do Marcelo a esta mesma pergunta.

Viva o Académico!

quarta-feira, 11 abril, 2007