segunda-feira, junho 18, 2007

O capitão dos juniores em entrevista



NOME: Tiago Jorge Laires Fraga Morais de Pina
DATA DE NASCIMENTO: 22 de Junho de 1988
LOCAL NASCIMENTO: Viseu
MORADA: Mangualde
POSIÇÃO: Médio centro
UM CLUBE SEM SER O ACADÉMICO: Sport Lisboa e Benfica
CLUBE ESTRANGEIRO DE SONHO: não tenho

Há quanto tempo estás no Académico?
Completei este ano a 5ª época de Académico.

Conta-nos como tem sido a tua carreira até aqui:
Comecei a jogar no Grupo Desportivo de Mangualde quando tinha 9 anos de idade. Joguei neste clube durante 5 anos. Na passagem do 1º para o 2º ano de iniciados vim para o Académico pela mão do Mister Vasco. Fiz no Académico os restantes escalões de formação. De referir também o regresso ao Grupo Desportivo de Mangualde por empréstimo, que se concretizou devido à situação que o clube viveu há cerca de um ano e meio.

Qual o melhor momento da tua carreira até agora? E o Pior?
O pior penso que é previsível. A situação que vivemos há ano e meio foi má demais. Por tudo, mas essencialmente no que me tocou a mim, pelo grande grupo de bons amigos que tínhamos e que foi “obrigado” a desmembrar-se e a resignar-se à impossibilidade de lutar pelo objectivo que tínhamos em comum.
Como melhor momento, entre as duas épocas que mais me marcaram no Académico, que foram a primeira (2º ano de iniciados) e a última, elejo a última. A primeira foi uma época em que chegámos à 2ª fase do campeonato nacional de iniciados, apurando-nos em primeiro na nossa série que contava com equipas como a Académica de Coimbra, a União de Coimbra ou o Feirense e jogando na 2ª fase com o FC Porto, o Vitória de Guimarães e o Leixões. Marcou-me pela grandeza das equipas contra quem joguei, mas principalmente pela grande equipa que tínhamos onde jogavam jogadores que ainda agora, tal como eu, estão no clube como o Marcelo Pais, o Zé Luís, o Carlos Marques ou “Carlitos”, o Rafael, o Micael, o Joel ou o João Aguiar, e outros que já não estão no clube como o Fábio Santos ou o Alexandre.
A última foi a época que acabou agora. E são muitas e boas as razões para a considerar marcante. Apesar de não termos jogado com clubes de topo em Portugal, como o já tínhamos feito noutras alturas, considero que o nível de dificuldade associado à nossa missão esta época não fica abaixo, muito pelo contrário, do nível de dificuldade duma época como a minha primeira de Académico. É complicado conseguir reunir as condições necessárias para se poder, nas circunstâncias em que nos encontrámos, realizar uma época como a que realizámos. Não o digo em termos desportivos, porque aí nós conhecíamo-nos e sabíamos que éramos os mais fortes, como ficou mais que comprovado: fomos campeões, sem derrotas, com mais golos marcados e menos golos sofridos que qualquer outra equipa. A dificuldade de que eu falo é a de juntar um grupo com a qualidade do nosso num campeonato distrital, é a de fazê-lo entrar para cada jogo com a motivação de quem joga a final da Liga dos Campeões, é a de jogar contra equipas super-motivadas que faziam dos jogos contra o Académico os jogos das suas vidas (relembro jogos como o de Penalva ou o de Lamego), é a de gerir um grupo que tem elementos a estudar e a viver fora e que não puderam treinar com a equipa durante todo o ano (eu o Marcelo Pais e o Carlos Marques ou “Carlitos”). São dificuldades que não se encontram quando se joga a um nível mais alto e que só com a dedicação e competência do nosso grupo onde englobo jogadores, treinadores, directores e todos aqueles que estiveram por detrás do trabalho destes, a darem todo o apoio necessário, se conseguem ultrapassar. Não falo de ninguém em específico porque não faz sentido, uma vez que o objectivo dessas pessoas não foi o de serem reconhecidas, foi o de ajudarem e elas sabem que ajudaram. Assim evito esquecimentos escusados. Por tudo isto, como já disse, elejo a última época como o meu melhor “momento” de Académico.

Qual o treinador que mais te marcou até agora?
São os treinadores que me treinaram nas duas épocas para mim mais marcantes. Na primeira o mister Vasco, porque foi o treinador que me trouxe para o Académico e porque fiquei admirador da forma de treinar e de liderar. O mister Pipo e a restante equipa técnica, da qual fazem parte o mister Carlos Moreira e o mister Filipe Pipo, porque para além de ter sentido prazer em treinar sob as suas orientações, são técnicos que mantém uma relação fortíssima com o todo o grupo o que permitiu contornar algumas dificuldades que mencionei na resposta anterior.

Como foi viver por dentro o fim do CAF?
Foi mau demais como já disse. Penso que é fácil de perceber a frustração que invade um grupo que de um momento para o outro, por razões completamente alheias porque em nada contribuiu para o que aconteceu, deixa de poder fazer o que mais gosta. O ficarmos privados de defender o nosso grupo e o Académico em campo, o percebermos, mais do que o nosso sofrimento, o sofrimento do que está ao nosso lado, o constatarmos que as pessoas que sentem o Académico acabam da forma como acabaram sem culpa nenhuma, revolta.

CAF e AVFC são para ti a mesma coisa? Porquê?
Absolutamente. Para mim, o que era o Clube Académico de Futebol continua-o a ser o Académico de Viseu Futebol Clube. Pode-se dizer que o CAF morreu em corpo mas não em alma. A alma do CAF continua viva no AVFC. E isso deve-se àqueles que sempre estiveram no Académico de forma desinteressada. Falo de jogadores, treinadores, directores e adeptos que continuaram e fizeram renascer o CAF como AVFC.

Se fosses tu a escolher, optavas pela “fusão” do CAF com o Farminhão ou começavas do zero?
Não me compete a mim julgar esse tipo de decisão. Acredito que quem decidiu fê-lo considerando o melhor para o Académico e por isso fico descansado. No que a mim diz respeito nunca senti “fusão” nenhuma. Fui sempre jogador do Académico.

Na tua opinião que características deve ter um atleta para ser o capitão?
Acima de tudo penso que deve ter uma noção de grupo, de equipa, de colectivo muito e bem definida. Não se espera dum capitão que seja o melhor jogador da equipa, nem que marque mais golos. Espera-se que seja a cara do que o treinador pretende da equipa dentro de campo. Quando se está a jogar, é tão importante sentir a liderança do treinador como a de alguém que se encontra nas mesmas condições de quem está a jogar. Quem joga sente o jogo duma maneira, quem está fora sente doutra completamente diferente. A barreira que se pode estabelecer dentro da cabeça dum jogador entre aquilo que o treinador pretende e o que ele consegue fazer dentro de campo compete ao capitão ajudar a derrubar. Por isso é que digo que este tem de ter a perfeita noção daquilo que são os interesses da equipa, tem de ter a perfeita noção do que é o melhor para a equipa em cada momento e tem de estar preparado para em qualquer momento sacrificar o individual em prole do colectivo, seja esse individual o próprio ou outro elemento da equipa. Ao capitão compete a missão de transportar a racionalidade para cada momento, para cada situação do jogo e transmiti-la à equipa.
Penso ser isto o mais importante num capitão. Depois existem uns capitães mais efusivos do que outros. Não encontro, de forma descontextualizada, qualquer vantagem dum tipo em detrimento do outro. Penso antes que essa efusividade, essa emotividade deve ser definida pelas características dos elementos que compõem o grupo. Por exemplo na nossa equipa penso que o meu papel podia pôr um bocado de parte essa componente, graças ao papel que o Marcel desempenhava no grupo. É claro que em alguns momentos a equipa precisa de ouvir “berros” de vozes que não está costumada a ouvir para perceber que determinado comportamento ou situação é mesmo importante, mas isso são casos mais pontuais. Aí o capitão volta a ser preponderante.

Tens essas características?
Creio que reúno características que me tornam num possível capitão de equipa. Depois a decisão cabe ao treinador e àquilo que ele pretende que seja a equipa.

O capitão é apenas mais um ou deve dar o exemplo?
Não creio que as duas coisas sejam incompatíveis. Aliás, penso mesmo que é fundamental que as duas estejam reunidas no capitão. Se o capitão é a cara do que se quer que a equipa seja, ele tem que dar o exemplo sendo apenas mais um, porque é exactamente isso que se pretende para a equipa.

Como vais ser o teu futuro em termos futebolísticos?
Neste momento sei muito pouco a esse respeito. Terei de falar com as pessoas do Académico para decidir o que fazer. Estando a estudar fora há uma série de condições que se impõem. Essa questão será tratada na altura certa e com as pessoas certas. O que posso dizer é que a minha prioridade neste momento é o curso de Ciências do Desporto que frequento em Lisboa. Como gosto de jogar futebol pretendo conciliar uma coisa com a outra, mas isso, para além de ter que ser bem ponderado, não depende só de mim. Vou decidir o que seja melhor para mim.

Como se sente um jogador das camadas jovens do clube ao ver tantos jogadores nos seniores que passaram pelos escalões mais novos?
Sente-se motivado e encorajado a trabalhar para um dia atingir o que outros já conseguiram. Se a aposta em jogadores jovens no Académico não for apenas uma consequência da situação que se viveu e for para continuar, penso que o Académico está no caminho certo, até porque na minha opinião há gente competente à frente das camadas jovens. Políticas que privilegiam a contratação de jogadores de fora do clube em detrimento do aproveitamento dos recursos humanos que advém das camadas jovens são completamente descabidas, a meu ver. Principalmente quando o motivo mais vezes mencionado é a falta de qualidade. Se não existe qualidade nas camadas jovens de um clube é porque o trabalho a esse nível não está a ser bem feito. E se o trabalho não está a ser bem feito isso é uma falha do clube que tem de ser colmatada, não pela compra de jogadores caríssimos, mas pelo investimento nas camadas jovens, de forma a que o trabalho seja bem feito e dê frutos para que o clube possa ser auto-suficiente. Utopia? Sim, até alguém o conseguir fazer.

Tens algum jogador que possas considerar o teu ídolo?
Não conheço nenhum suficientemente bem para o considerar como ídolo mas creio que se conhecesse o Rui Costa não ficaria desiludido. De resto, como ídolo tenho o meu pai.

3 comentários:

ogirdoR disse...

Em nome de A MAGIA DO FUTEBOL quero agradecer "publicamente" ao Tiago por esta excelente entrevista.

Obrigado Tiago e boa sorte!

segunda-feira, 18 junho, 2007
Marcelo Pais disse...

Uma grande pessoa, um amigo ainda maior! Abração

segunda-feira, 18 junho, 2007
ogirdoR disse...

Marcelo: deixamos-te um "recado" no teu mail!

segunda-feira, 18 junho, 2007