domingo, julho 22, 2012

Filipe em entrevista


1.   Há 3 anos, na primeira entrevista que nos concedeste, disseste que estavas em Viseu para completar a tua formação académica. Correu bem?
É verdade, já la vão 3 anos…Sim, correu bem e fiz por isso. Espero esta semana concluir o mestrado, falta só defender a minha tese. Nem sempre foi fácil conciliar treinos e faculdade mas fi-lo por gosto. Alguns treinadores entenderam esta situação melhor que outros mas as coisas sempre se resolveram e raramente falhei com os meus compromissos.

2.   Em quatro épocas de Académico fizeste 52 jogos. Queres destacar algum em particular?
Naturalmente o jogo da penúltima subida de divisão à 2ª nacional. Subir com um golo aos 89 minutos (obrigado Rui) foi inexplicável e estar dentro de campo é outra coisa. Houve vários jogos que os meus colegas me deram os parabéns. Isso para mim é tudo. Sou um jogador de equipa e quem trabalha comigo diariamente percebe isso. Os números por vezes não explicam tudo..
Quem joga no académico tem que dar o valor devido. Eu acho que tomei o peso desse valor. As pessoas certas transmitiram-me isso. Vocês sabem de quem falo.

3.   Na primeira época atuaste em 20 jogos. Foi a época em que mais jogos fizeste pelo Académico. Que explicação encontras para o facto de não voltares a ser tão utilizado?
Na primeira época penso que ganhei a confiança dos treinadores que tive e correspondi com aquilo que me foi pedido. Joguei em todas as posições da defesa e em quase todas do meio-campo e não sofri lesões nas alturas erradas. Por outro lado, nas épocas seguintes lesionei-me em momentos cruciais que não me possibilitaram estar sempre a 100%. Associado a isso, algumas opções estratégicas e menos oportunidades resultaram nisso. Contudo, fico contente por tudo o que fiz. Saio de cabeça erguida.
4.   É justo dizer-se que a primeira subida, por teres jogado mais, foi mais saborosa que a segunda?
Mais saborosa não sei se será a palavra certa. Talvez, diferente. Esta última época lesionei-me na sexta-feira antes do primeiro jogo da 2ª fase! Estava a ser opção e apresentava-me em bom plano e ganhar forma. Estive um mês afastado e de acordo com os médicos a lesão seria mais para terminar a época do que para outra coisa. Até cheguei a partilhar um texto de “quase despedida” para os meus colegas em forma de motivação. Mas isso fica entre o grupo (ehh). Contudo, tentei recuperar e consegui terminar a época com a possibilidade de festejar a subida dentro de campo Isso tornou esta bastante especial conseguindo atingir o objectivo que traçámos. Costumava comentar com os meus colegas: “Quero acabar o curso e subir de divisão, por isso vejam lá…”.

5.   Agora que abandonas o Académico diz-nos, que sentimento nutres pelo clube? Como vai ser o teu futuro?
É um clube que fica no coração. Por muitos motivos: Pelo que a cidade significa para mim, pelo clube, pelos colegas com quem trabalhei e amizades que estabeleci, entre outros. Quando vim estudar para Viseu tinha objectivo representar o Académico e foi com muito orgulho que o fiz. 4 anos de futebol em Viseu associado a uma vida académica marcam certamente.
Neste momento quero terminar o curso e depois logo vejo. Sempre fui exigente no futebol e vou sê-lo na minha vida profissional. Se posteriormente der para conciliar as duas coisas, melhor. Já tenho alguns convites de clubes que treinam a horas mais compatíveis com o meu tipo de trabalho mas não sei como as coisas vão ficar.

6.   Define os treinadores com quem trabalhaste nas últimas 3 épocas:
Talvez o Professor José Miguel Borges tenha sido aquele com quem mais me identifiquei. Mas foi na primeira época. Sendo assim, nas últimas 3:
António Borges – um homem que percebe de futebol e vive-o como ninguém. Bom treinador de campo. Corrige ao pormenor o que o jogador deve alterar. Aprendi algumas coisas. Não teve a sorte desejada em Viseu.  Estava a jogar quando chegou e no mesmo jogo fui expulso e deixei de ser opção. Por outro lado, numa altura da época foram alterados os horários dos treinos. Deixei de poder participar activamente devido à faculdade.
João Paulo Correia – Não esteve muito tempo. “Homem da cidade”. Não me deu grandes oportunidades. Boa pessoa.
Paulo Gomes – Chegou numa altura complicada. Reconheceu o meu trabalho diário.
Manuel Matias – trouxe uma exigência diferente ao grupo e chegou numa fase da época do tudo ou nada. A fase de subida estava em risco e fomos ganhar ao Marinhense. Dou-lhe o mérito devido. Acredito que se não fossemos uma equipa como ele pedia não tínhamos conseguido. Chegámos a última jornada com hipótese de subir…porém, falhámos o objectivo.
António Lima Pereira – Bom homem. Exigente. Qualidade de treino. Gostei de trabalhar com ele. Deu-me as oportunidades reconhecendo o meu trabalho. Sofri uma lesão o que complicou as coisas. Cumpriu o objectivo que se propôs. Isso diz tudo.


7.   Tens acompanhado as notícias sobre o reforço da equipa? Até onde achas que o clube pode chegar na época que agora começa?
Acredito que a direcção em conjunto com o treinador poderá fazer um bom trabalho. Tomaram as decisões que acharam necessárias. Reforçaram a equipa nos pontos onde acharam que estariam as maiores lacunas e a prova dos nove será o campeonato. Penso que o clube deverá pensar em cimentar a sua posição na 2ª divisão nacional para posteriormente com bases mais sólidas poder atacar uma subida para uma competição profissional. Acho que na cidade há muita gente a querer/ter que colaborar com o clube. Uma equipa forte será o reflexo de uma estrutura directiva bem organizada e diversificada. Uma estratégia bem elaborada de Marketing vendo o Académico como um todo acho que poderá trazer frutos.

8.   Queres deixar uma palavra final para os adeptos academistas?
Continuem a apoiar o clube. Eu vou fazê-lo. Sejam pacientes. O futebol cada vez mais reflecte a crise que o país atravessa. Sem o apoio de todos os Academistas os objectivos a alcançar ficam mais longe. Espero que a Magia do futebol continue a acompanhar a par e passo o clube. O vosso trabalho é reconhecido por todos. Parabéns! Espero que o AFC a curto/médio prazo cimente a sua posição no futebol nacional e dê as alegrias que todos os adeptos andam há tanto tempo a cobrar.
Obrigado a todos.
Aproveito também esta entrevista para deixar os meus sentimentos à família do Dr. Fernando Santos. É uma pessoa que ficará no meu coração. TRATAVA TODOS DE FORMA IGUAL, SEMPRE PRONTO A AJUDAR. VIVIA CADA JOGO INTENSAMENTE. São pessoas como O DOUTOR que fazem do Académico de Viseu um clube grande. Até sempre Doutor…

Artur Filipe Simões
19 de julho de 2012

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